DE QUE MODO NASCEM NOSSAS CRIANÇAS?
Este
site surgiu de um questionamento que acompanhou a minha vida profissional:
de que modo nascem as nossas crianças? Como muito bem escreveu
Jacques Gelis, filósofo francês, não podemos solucionar
a maneira de acolhimento ao recém-nascido preconizando técnicas.
Ele diz, e muito sabiamente, que o nascimento corresponde à maneira
de ser de um povo, o retrato, a imagem que esse povo tem da vida e do corpo.
Assim, simples fórmulas são insuficientes para reverter a
situação de extrema gravidade pela qual passa a assistência
à mulher e seu filho durante o parto.
Antes
de mais nada precisamos questionar se estamos todos satisfeitos. Quando
dizemos, todos, me refiro não só àqueles que assistem
o nascimento mas também àqueles que são assistidos,
a mãe, o pai, a família, enfim. Tenho também como
experiência minha história pessoal. Nasci em 1935, de parto
normal, em casa, assistida por uma parteira. Mais tarde, como aluna de
enfermagem, presenciei um parto pela primeira vez. Foi uma sensação
plena de alegria e sonho. Senti como se tivesse trocado este mundo por
um outro sobrenatural. Naquele instante pensei que seria muito bom passar
o resto da minha vida assistindo as crianças nascerem, auxiliando
as mães e as famílias.
Depois
tive três filhos. Recebi anestesia raqui e peridural. Não
me recordo se fui consultada antes. Com a dor muito forte, a consciência
fica nebulosa, a vontade fraqueja e as decisões ficam mais difíceis
de serem tomadas. Se me perguntassem hoje certamente diria que não.
Não senti meus filhos nascerem, somente uma sensação
estranha, uma intuição de que alguma coisa estava se passando
comigo. Depois, a sensação de não sentir as pernas,
de estar aleijada. A vontade de dormir e de esquecer que não tinha
mais as minhas pernas. Assim, quase não podia pensar nos meus filhos
que tinham acabado de nascer, sentia um profundo mal-estar. Sentia-me paralítica,
presa ao leito, sem liberdade para me movimentar, além de uma violenta
queda de pressão arterial seguida de vômitos. Após
a alta hospitalar, senti dez a quinze dias de dor de cabeça. Dor
que não passava com nenhum analgésico. Acrescentem-se a dor
da episiotomia, a fraqueza generalizada, o cansaço e as preocupações
com os trabalhos domésticos.
Neste
site, após toda uma vida passada ao lado das mulheres grávidas,
na sala de parto, nos consultórios de pré-natal, nas casas,
ensinando, muitas vezes aprendendo, quero deixar uma contribuição
à causa da mulher.
Deixo
aqui meu apelo à ternura!!!
Sim,
é preciso que a mulher grávida e seu filho sejam tratados
e recebidos com ternura.
As fórmulas, os procedimentos, as técnicas
modernas de cirurgia, anestesias... foram escritas páginas e páginas
em livros científicos contra e a favor de procedimentos e muitos
deles se modificaram através dos tempos. Poderíamos citar
fulano e beltrano, artigos nesta e naquela revista daqui e de lá.
A ciência evolui. Entraríamos em polêmicas sem fim.
Isso é melhor, aquilo é pior. O que era melhor antes transformou-se
em pior agora e vice-versa.
A
ternura, o amor é preciso introduzi-los em nossos procedimentos!
O
sentimento da mulher é preciso buscá-lo, conhecê-lo
e respeitá-lo.
Por isso, este site é site de ficção,
um site que nos fala de um mundo imaginário. A história dele
se passa em um povo que, valorizando a vida, vê a mulher e seu filho
com imenso respeito e ternura. Não importa a raça, se é
branco ou se é negro, se é bonito ou se é feio, se
é pobre ou se é rico. Importa a vida, importa aquela criança
que centraliza em si toda a esperança, primeiro de sua família,
e depois de todo um povo, de toda uma raça. Aquele ser, aparentemente,
mas só aparentemente tão frágil, tão dependente.
O livro tem só um objetivo: fazer permear
de ternura todas as técnicas, todos os procedimentos, todos os corações,
todas as consciências daqueles que estão encarregados de receber
uma nova vida.
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