:: Página Principal ::
:: Parto Humanizado ::
:: Links ::
:: Preparação
para o Parto
::
:: Bibliografia ::
:: Quem Sou Eu ::
:: Comprar o Livro ::
:: Parto Domiciliar ::
:: Banqueta de Parto ::
:: Parto na Posição de Cócoras ::
 
PARTO HUMANIZADO
por Marilia Largura



9) A PARTEIRA

Recebe também outros nomes como: curiosa, aparadora, etc. e representa um profissional muito importante na história da assistência ao parto.

Sua função é tão antiga quanto a própria humanidade. Através da história foram perseguidas, combatidas e caluniadas pelos representantes da sociedade que detinham certos poderes, tais como sacerdotes, administradores, médicos. Muitas vezes considerada ignorante e perigosa para a mãe e a criança, além de faltar ao asseio em suas práticas. Na Idade Média chegaram a ser queimadas nas fogueiras da inquisição.

A imagem da parteira é sempre ambígua. Tenhamos por ela simpatia ou antipatia, facilmente ocorrem exemplos que a valorizam e que a condenam. Ela pode ser aborteira ou denunciar mulheres que abortam, tornar-se cúmplice de infanticídios ou auxiliar a reprimi-los, facilitar o abandono de crianças ou participar da procura de mães que doam seus filhos. 

E assim é porque a parteira se encontra em uma encruzilhada onde a vida e a morte podem estar presentes. Influi sobre seu comportamento o interesse sórdido ou a solidariedade, o medo da repressão, a preocupação com a preservação da vida ou a ausência de senso moral.
Assistir ao nascimento é uma função sagrada. Um chamado de Deus para defender a vida nascente.

No Brasil, as parteiras através de sua história até os dias de hoje, são inúmeras e incontáveis. Em algumas regiões viajam a pé, a cavalo, em pequenas embarcações, por estradas, por rios ou no meio da mata. Às vezes, devido às dificuldades de locomoção, passam vários dias na casa da parturiente, à espera da hora do parto.
Rezam implorando a proteção dos santos, de Deus e de Nossa Senhora.

Cantam para a paciente canções de estímulo e de conforto.

Abastecem a casa de tudo que é necessário e, se falta alimento, tiram do seu próprio sustento. Auxiliam nos trabalhos domésticos da cozinha, da lavagem da roupa, do cuidado com as crianças.
Assistem à mãe após o parto, observando sintomas e orientando sobre registro de nascimento, vacinações, etc.

São na sua grande maioria mães de família, o que lhes concede maior sensibilidade e compreensão para com a mulher na hora de dar à luz. Exercem outras funções, além da assistência ao parto. Na zona rural trabalham na agricultura e na zona urbana em pequenos negócios. Esse fato sutil permite que suas vidas de parteira deixem de ser uma rotina como acontece nos hospitais. Os membros da equipe de saúde, médicos, enfermeiras, auxiliares, executam todos os dias as mesmas práticas, dia após dia, mês após mês, ano após ano, assistindo um número variável de partos por dia. Essa ação mecânica e repetitiva é desintegrante, pois após algum tempo eles, por força da rotina, perdem a noção da importância do que estão executando.

A parteira, ao contrário, é chamada uma ou outra vez e sua ação é entremeada por outros trabalhos que lhe permitem sair de uma função que poderia se tornar rotineira e fastidiosa. A história cobre com um manto de silêncio os partos normais e os nascimentos sem problemas. As parteiras humildes e extremamente dedicadas fazem parte desse capítulo. Quantas crianças vieram ao mundo em suas mãos, sem alardes e sem problemas.

Parteiras sem grandes pretensões econômicas doam o seu tempo à mulher que está parindo. Seu tempo é livremente dedicado ao parto. Em sua sabedoria inata não têm pressa, pois sabem que é prudente observar a natureza e deixá-la agir.
Não se preocupam com contas bancárias que precisam "engordar".

Estão ali cumprindo uma missão e a mãe é o centro de suas atenções.

São confidentes, humildes, corajosas, pacientes, compreensivas e amorosas. 

Conheci muitos profissionais como médicos e enfermeiras obstétricas com "alma de parteira", isto é, com o dom de proteger a vida do nascituro.

PARTEIRAS HEBRÉIAS

São citadas na Bíblia (Êxodo 1:15:2).
O rei do Egito disse às parteiras dos hebreus, uma das quais se chamava Sifra e a outra Fúa: "Quando ajudardes as mulheres dos hebreus a darem à luz, olhai o sexo da criança. Se for um menino matai-o. Se for uma menina deixai-a viver". As parteiras, porém, temiam a Deus. Não fizeram o que o rei do Egito lhes ordenara e deixaram os meninos viver. Então o rei do Egito lhes convocou e lhes disse: "Por que fizestes isso e deixastes viver os meninos? As parteiras responderam ao Faraó: "As mulheres dos hebreus não são como as egípcias; são cheias de vida, antes de a parteira chegar já deram à luz". Deus tornou as parteiras eficazes e o povo se multiplicou e se tornou bem forte. Ora, como as parteiras temessem a Deus e Deus lhe houvesse dado uma descendência, o Faraó deu esta ordem a todo o seu povo: “Todo menino recém-nascido, jogai-o ao rio. Toda menina, deixai-a viver”. Neste episódio da Bíblia observamos que Deus abençoou as parteiras estabelecendo uma descendência de mulheres com essa vocação. A assistência dada pelas parteiras perdura até os dias de hoje e continuará para sempre em todo o mundo.

Sifra e Fúa, as primeiras agentes de libertação, foram exemplos de mulheres valentes que, expondo a própria vida à ira do Faraó, lutaram pela vida, liberdade, justiça e paz.

PARTEIRAS ASTECAS

Os astecas criam na existência de um Ser Supremo único, caracterizado como "Aquele que tem tudo em Si mesmo" ou como "Senhor dos arredores e da intimidade", "Aquele por quem se vive", o "Criador das pessoas", o "Criador das coisas", o "Providente", situado acima de seus deuses da agricultura e da guerra.

Quando nascia uma criança, a parteira dizia-lhe: O deus Ometeucuhtli e Omechuatl (o deus supremo que tinha esse nome dual, masculino e feminino) criou-te no lugar mais alto do céu para enviar-te ao mundo; mas hás de saber que a vida que começas é melancólica, dolorosa e está cheia de problemas e misérias: só comerás o pão com trabalho; que o criador te ajude ante as diversidades que te esperam.

ORAÇÃO DE SÃO BARTOLOMEU

Que é rezada pelas parteiras quando a mulher entra em trabalho de parto: 

Senhor São Bartolomeu, se vestiu e se calçou, seu caminho bendiou.
- Por onde vai senhor, São Beto?

- Vou em busca de Vós, Senhor.

- Tu comigo não irá.

- Tu na casa de fulano ficará.

- Na casa em que vós estiverdes não morrerá mulher de parto nem menino de abafo, nem fogo levantais. 

Paz, dom, misericórdia.

HINO DAS PARTEIRAS

Nós somos as 
Parteiras tradicionais

Que em grupo vamos trabalhar

Todas juntas sempre unidas

Muitas vidas vamos salvar

Como as parteiras sempre de uniforme

Vamos cumprir com os nossos deveres

Todas juntas e sempre unidas

Salvando vidas, salvando vidas

Vamos trabalhar, com dedicação, pegando crianças com as nossas mãos

Para a beleza e a grandeza da nossa nação.



próximo capítulo índice dos capítulos