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8) CESÁREA
O Brasil
é considerado por muitos como o campeão mundial de realização
de cesáreas.
Se fosse delegado o parto normal a outros profissionais como a enfermeira
obstétrica certamente o índice de incidência de cesáreas
seria outro.
Vivemos em uma época na qual a cesariana se tornou uma intervenção
banal, realizada freqüentemente e por várias razões,
não apenas por causa de uma urgência obstétrica, isto
é, para salvar a vida da mãe ou da criança em sofrimento.
Muitos partos
são antecipados e cesarianas são realizadas porque isso convém
a todos que estão envolvidos no processo: hospital, equipe médica
e mesmo à própria mulher grávida. Ao médico
porque ele tem outras clientes esperando, à mulher, porque receia
as contrações dolorosas que normalmente acompanham o trabalho
de parto, pensando ser a cesárea a melhor solução.
Algumas futuras
mamães estão absolutamente convencidas, como muitas outras
pessoas, de que essa é a melhor maneira de "pôr uma criança
no mundo".
Fica evidente que os valores da nossa sociedade influem na maneira de encarar
o parto. Somos levados a encará-lo como um acontecimento restrito
à área médica e, mesmo, um acontecimento cirúrgico.
Vivemos numa sociedade de gente apressada, onde tudo deve passar e acontecer
rapidamente, onde toda a dificuldade é regulamentada pela tecnologia
e todos os problemas de saúde requerem uma solução
medicamentosa ou cirúrgica.
Estaria o
parto incluído nesse contexto?
Mas a complexidade de um acontecimento tão maravilhoso não
se enquadra necessariamente dentro de intervenções de conveniência.
Pode mesmo acontecer que esse acontecimento seja profundamente perturbado
por essas intervenções.
Frederich Leboyer diz que a cesárea se justifica quando, após
algum tempo de trabalho de parto, não há dilatação
do colo nem insinuação do feto no estreito superior da pelve.
É um mal menor, pelo qual, porém devemos demonstrar grande
gratidão.
Rito de
passagem
Podemos considerar a cesariana um rito de passagem frustrado.
Um parto confirma ou não na mulher a sua capacidade de colocar uma
criança no mundo. É um rito que marca profundamente seu inconsciente.
O primeiro parto é um rito de passagem para uma nova etapa de sua
vida de mulher. A mulher que pensa ter "fracassado" ao sofrer uma cesariana
pode se ressentir desse fracasso quando em conversa com outras que conseguiram
ter um filho por via vaginal.
Outro fator negativo, para muitas mulheres, é que a cesariana coincide
com uma primeira hospitalização, fonte de muito estresse
e tensão.
As mulheres não se sentem bem com a cesariana, mas em muitas delas
esse "mal" permanece no inconsciente. Elas não se dão conta
de todo o processo.
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