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7.1)
OS CONVIDADOS
Dar à
luz em casa dá o privilégio à mãe de convidar
amigos e parentes, ou então, de preferir que o acontecimento se
dê na mais estrita intimidade. Alguns pais escolhem partilhar este
momento precioso com alguns entes queridos. Outros decidem dar à
luz somente com a presença do médico ou da parteira, uma
assistente e o marido. Não é o número de convidados
que determina a atmosfera do ambiente, mas a atenção e a
consciência de cada pessoa em relação ao nascimento.
Às vezes, a atmosfera é bastante agradável e íntima
embora muitas pessoas estejam presentes. Outras vezes, uma só pessoa
é suficiente para estragar o circuito de energia.
Nos dias
de hoje, a grande maioria dos adultos nunca assistiram um parto. Quando
a gravidez estiver chegando ao fim, provavelmente muitos amigos, atraídos
pela magia do nascimento, irão solicitar a você a possibilidade
de presenciar o parto. Mas é preciso que você fique atenta,
pois é preciso mais que uma simples atração para que
alguém seja convidada a assistir um parto.
Convide pessoas que venham para dar um pouco de si mesmas; oferecer apoio
afetivo, cuidar das outras crianças, cozinhar para todos os presentes,
fazer massagens, etc.
As pessoas que são apenas observadoras do trabalho de parto acabam
por achar o tempo muito longo e por se transformarem eles mesmos em uma
presença desagradável.
Se um convidado
acha que todos os partos deveriam ter lugar no hospital, se ele tem medo,
seu medo vai de forma imperceptível se espalhar por todo o ambiente
e atrapalhar o processo de parto. A energia da mãe e do pai está
tão concentrada no trabalho que eles podem não perceber o
que está acontecendo em relação aos convidados. Se
alguma pessoa presente em casa começa a ficar inquieta, essa pessoa
deve falar com a parteira ou o médico sobre os motivos de sua inquietação.
A parteira poderá ajudá-la a ser útil e somente o
fato de estar ocupada acalmará a sua inquietude. Não convide
alguém que vem apenas para tentar superar seus medos e suas más
lembranças. Que ele venha em primeiro lugar para auxiliar. A presença
dele durante o parto poderá fortuitamente ter o efeito secundário
de curar seus medos, mas esse nunca deve ser o seu primeiro objetivo.
No começo
do trabalho, a mulher aprende a se abandonar às suas contrações,
atravessando transformações profundas que a tornam extremamente
vulnerável. Os olhares dos outros, mesmo se são seus amigos,
podem mantê-la em um estado de consciência (dela mesma) que
pode atrapalhar esse abandono. Este fato pode acontecer em um quarto cheio
de pessoas que permanecem "em estado de alerta" em relação
ao desencadeamento do parto. É o mesmo caso de um fotógrafo
que focaliza suas lentes muito próximas do desenrolar de um acontecimento.
Nesse momento uma boa idéia é a de solicitar a todos os presentes
que deixem a sala e voltem depois de uma ou duas horas quando forem chamados.
Quando o trabalho já estiver bem deslanchado, e a mãe mais
à vontade, as visitas poderão retornar sem problemas.
Muitos casais
organizam um encontro entre as pessoas que gostariam de estar presentes
no parto. É uma idéia excelente. Permite esclarecer as expectativas
de cada um e a parteira ou o médico podem responder às questões
e a função que cada um pode desempenhar e o casal exprimir
o que gostaria de criar como atmosfera no ritual de acolhida do bebê.
Se você
pretende convidar sua mãe ou a mãe de seu companheiro tenha
consciência que as experiências de parto das avós são
muito diferentes das experiências das filhas. As expectativas das
avós também eram diferentes. A gravidez pode acentuar alguns
aspectos das relações entre você e sua mãe no
decorrer de sua vida.
É muito freqüente a parteira observar a mulher mudar completamente
de atitude e consequentemente, mudar a sua maneira de "viver" as contrações
do parto no momento em que sua mãe entra no quarto e exclama: "Minha
pobre filhinha". Exatamente, nesse mesmo momento, a "mulher" em trabalho
de parto desaparece dando lugar a "Minha pobre filhinha"... e as "filhinhas"
não podem dar à luz.
Se você
ainda sente que está ligada à sua mãe nessa forma
de ligação de dependência de uma filha indefesa precisando
de proteção, você deveria, talvez, dar à luz
nos braços de seu companheiro e transformar-se com ele numa verdadeira
mulher. Em muitos partos a presença da mãe transformou o
acontecimento em uma maravilhosa ocasião de aproximação
e de capacidade de dar a vida.
É
prudente advertir os convidados que você poderá mudar de idéia
na última hora. Você não deve ter medo de ser "mal
educada" ou decepcionar alguém se você mudar de idéia!
Se o seu trabalho começa com contrações muito próximas
umas das outras, ou com vômitos, você provavelmente não
vai querer ver ninguém. Qualquer que seja o motivo, dê a você
mesma essa liberdade para decidir quando o trabalho começar. Sem
estar presente durante o parto, alguém pode chegar nos instantes
que seguem ao nascimento, enquanto o bebê está ainda sobre
você, acordado e feliz. Recomende que todos andem na ponta dos pés!
A atmosfera de uma casa onde o bebê acaba de nascer é tão
vibrante!
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