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PARTO HUMANIZADO
por Marilia Largura

6.2) É TÃO SIMPLES

A mulher, ao dar à luz, está cercada de todos aqueles que lhe têm amor. Sua intimidade e seu ritmo são respeitados. Seu companheiro fica à vontade em ambiente que lhe é familiar. Seu bebê passa docemente da cama na qual nasceu para seu próprio berço, sem interrupção. Todas as pessoas presentes são convidados e amigos.

O nascimento em casa é a continuidade com a vida da qual ele é o início. É o gesto deliberado de pessoas preocupadas com o bem-estar indissociável da criança que vai nascer e sua mãe. Pessoas que escolheram ser responsáveis por esse ato.


O hospital e o sistema de saúde não apenas se apoderaram do aspecto médico do nascimento como também esvaziaram o sentido que esse acontecimento tem para cada pessoa. É esse sentido que nós podemos reencontrar, celebrar, exprimir quando o parto é realizado no próprio lar.

Rahima Badwin diz do nascimento em casa: "A força motora da nova corrente de opiniões que prioriza o parto em casa se apóia na tomada de consciência de que, para estar vivendo plenamente, devemos participar plenamente em tudo aquilo que fazemos. Estar em plena consciência de nossas emoções, nosso senso de responsabilidade, nossa capacidade de tomar decisões em dada ação de nossa vida e de forma mais particular num acontecimento tão importante como o nascimento.

O parto em casa tem muitas vantagens: liberdade de movimentos, segurança, privacidade e condições excepcionais de acolhida do bebê. As razões que recomendam o parto em casa são da ordem de três categorias: segurança, reconhecimento de necessidades afetivas e autonomia. Estas razões na realidade estão intimamente interligadas. Passaremos a analisá-las separadamente.

SEGURANÇA: ultimamente têm se multiplicado os casos de troca de crianças nos hospitais e maternidades. Outra ocorrência muito séria, porém mais rara, é o rapto e desaparecimento como o que ocorreu em Brasília com a criança chamada Pedrinho.

A violência explode da sociedade para dentro da sala de parto. Ela está presente no atendimento à parturiente. Sabe-se que a violência se manifesta não só por atos de agressão física. Ela tem seu início em palavras e frases. Quando a mulher reclama das dores escuta invariavelmente uma frase: "Estava bom na hora de fazer, agora agüenta", além de outras agressões verbais que, ao enumerá-las, preencheria páginas e páginas deste livro.

A violência se reveste das máscaras mais variadas: indiferença, frieza, cinismo, polidez disfarçada, palavras ditas com segundas intenções mas que ferem a dignidade da mulher. Se fôssemos ouvir as estórias das mulheres que, por causa das suas, condições financeiras, deram à luz em serviços públicos não acreditaríamos ser verdade tanta falta de sensibilidade dos membros da equipe de saúde.

A cadeia de violência se inicia quando ela, em trabalho de parto, é recusada de um hospital após o outro. O pior da violência é nos acostumarmos com ela. É não ser capaz de distingui-la nos atos corriqueiros do dia-a-dia da sala de parto.

Quando a mulher é admitida quase que "por favor" e não por um direito absoluto de assistência fica passível de intervenções desnecessárias que são objeto de questionamentos, por serem inúteis e freqüentemente prejudiciais.


A cesárea sem uma indicação precisa constitui em si uma violência contra a mãe e a criança.

Quando limitamos em alguém a liberdade de se exprimir estamos praticando uma violência.
Devemos permitir à mãe, quando está em trabalho de parto:

- liberdade de escolher a posição em que quer dar à luz

- liberdade de emitir sons, isto é, falar, gritar, gemer, etc.

- liberdade de perguntar o que estão fazendo com ela, porque estão fazendo, como está evoluindo o seu trabalho de parto

- liberdade de orientar o acontecimento segundo seus desejos e suas necessidades.

Em casa, a mulher terá direito a cuidados personalizados e contínuos por parte de um profissional que a conhece, que seguiu atentamente a gravidez e que tem conhecimento dos problemas de saúde que poderão ocorrer durante o parto e que ficará junto dando apoio durante todo o decorrer do trabalho. Não será realizada nenhuma intervenção salvo aquelas que, com o consentimento do casal, forem razoáveis e necessárias.

RECONHECER AS NECESSIDADES AFETIVAS DA MÃE: constitui na atualidade entre muitos fatores o mais negligenciado. 

A atmosfera afetuosa, íntima, cordial, é uma das condições primordiais de sucesso, porque ela auxilia a liberação dos hormônios que irão influir no trabalho de parto.

Nada é mais pessoal, individualizado do que acolher um bebê em sua própria casa. Ninguém acolhe um bebê como seus próprios pais. Desde seu primeiro minuto de vida ele é tratado como o indivíduo verdadeiramente único que é por pessoas que continuarão para sempre a se relacionar com ele.


Quando a mãe e o bebê estão pertinho um do outro ela pode amamentar por quanto tempo quiser e ele só deixará seu calor e aconchego (como o pintinho que fica embaixo das penas super macias de sua mamãe galinha) para ser colocado em um berço onde ela pode vê-lo, tocá-lo, tomá-lo em seus braços no momento que desejar e achar oportuno. 


A família reunida no seu próprio meio, vive junto uma experiência maravilhosa que marca a existência e que tece ligações entre seus membros para sempre.

A QUEM PERTENCE O NASCIMENTO?

A AUTONOMIA é uma aspiração do ser humano adulto. Os pais, mesmo que às vezes inconscientemente, desejam se sentir os autores desse acontecimento tão importante em suas vidas. As mulheres que dão à luz em casa assumem essa responsabilidade e se recusam a ser pacientes que se submetem a regras determinadas. As "jovens mamães" se transformam em mulheres adultas e apoiadas por seus companheiros decidem dar à luz no "ninho" por elas preparado para o seu filho.

Os pais que fazem a escolha de dar à luz em casa não são contra a tecnologia mas acreditam que ela tem o seu lugar nos casos considerados excepcionais. Estão prontos a procurar um hospital quando um problema real se apresenta.

 



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