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HOSPITAL MATERNIDADE
Em
muitos deles os funcionários estão sobrecarregados, indiferentes,
desmotivados e rotineiros nas suas atitudes. São eles que representam
em qualquer categoria profissional, os depositários dos procedimentos
que são transmitidos na prática de uns para os outros, incluindo
desde os portadores de escolaridade de 1º e 2º grau, até
os de nível universitário.
Aprendendo
a teoria na escola, quando chegam na prática, no exercício
profissional, encontram as rotinas já estabelecidas. Estas só
podem ser questionadas em ambiente que não for de acomodação
e de indiferença.
Mudar
exige um esforço e tem como mola propulsora melhorar o atendimento.
Quem estaria interessado? As rotinas não
são questionadas. A mulher e a criança não são
acompanhadas após sua saída da maternidade ou, se o são,
outros profissionais acompanham, não os mesmos que assistiram o
parto, o que dificulta a avaliação do certo ou errado que
ocorreu durante o parto. Alguns procedimentos "não oficiais" dos
nossos hospitais públicos são motivo de profundo questionamento.
O
principal deles é recusar a admissão. Foi perguntado à
futura mãe a distância entre sua residência e o hospital?
Teria sido examinada para avaliação de seu estado clínico
antes de receber a recusa? A avaliação de uma mulher em
trabalho de parto necessita de tempo em horas para observação
da evolução.
Os profissionais capacitados sabem que a evolução
do trabalho de parto é imprevisível.
Mandar
uma mãe embora por simples falta de vaga não é a
solução. O trabalho de parto pode evoluir rapidamente. Se
ela mora longe, pode não ter o tempo necessário de ir e
voltar para dar à luz ou então, quando chega, em casa, precisa
novamente voltar para o hospital, ficando em trabalho de parto durante
todo o trajeto que é realizado com mais freqüência em
condução coletiva (ônibus, metrô, etc.)
Nesse vai e vem aumenta o risco de anoxia do recém-nascido
e suas conseqüências, como a paralisia cerebral.
Quando
ela é recusada em um único hospital e aceita no próximo
que procura se dá por satisfeita. Entretanto, ela às vezes
é recusada em vários hospitais percorrendo um verdadeiro
calvário.
"Darás à luz com dor". (Gênesis)