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AS TRÊS DIMENSÕES DO PARTO
DIMENSÃO ESPIRITUAL DO PARTO
A
dimensão espiritual se consubstancia no grande mistério da
eclosão da vida. É o momento
em que se sente a presença de Deus, autor da vida.
Momento sagrado. Momento de dom. Momento
de alegria.
De onde viemos? Para onde vamos? Por que vivemos?
Pergunta eterna dos seres humanos.
A vida criada por Deus é única. Cada
ser tem suas características próprias, sua individualidade
que jamais poderá ser encontrada em outro ser.
A
Bíblia se nos apresenta alguns trechos que aqui são relembrados:
Jeremias Cap. 1 - Vers. 5:
"Antes mesmo de te formar no ventre materno, eu te
conheci; antes que saísses do seio, eu te consagrei".
Salmo
138 - (13-14-15):
"Fostes vós que plasmastes as entranhas do
meu corpo, vós me tecestes no seio de minha mãe.
Sede bendito por me haverdes feito de modo tão
maravilhoso.
Pelas vossas obras tão extraordinárias,
conheceis até o fundo a minha alma. Nada da minha substância
vos é oculto quando fui formado ocultamente, quando fui tecido nas
entranhas subterrâneas".
Ainda
na Bíblia encontramos nascimentos impossíveis de explicar
do ponto de vista puramente humano e biológico. Assim foi o nascimento
de Isaac, filho de Abrãao e Sara e de João Baptista, filho
de Isabel e Zacarias, e de Jesus filho de Maria, virgem e mãe.
Não
menos famosa é a sentença de Deus à Eva: "Darás
à luz com dor".
Essas palavras estão presentes em nossos hospitais
e maternidades na entrada do 3º milênio quando observamos a
realidade da assistência que é prestada à mulher parturiente.
Embora
a dor durante o parto seja uma realidade, existe mil e uma maneiras de
minimizá-la de forma natural sem o auxílio de medicamentos
e intervenções cirúrgicas. Mais
adiante falaremos sobre esses procedimentos.
DIMENSÃO PSICOLÓGICA
Ternura
Este sentimento está presente nas pessoas
"doces", ele é fruto do amor e da não violência.
O sentimento não se aprende, não se
ensina, como se ensinam as técnicas de assistência ao parto.
É com ternura que precisamos assistir a mãe
e a criança.
Confiança
Este sentimento que deve existir entre a parturiente
e a pessoa que assiste o parto é também fruto do amor.
A mulher tende a relaxar quando confia plenamente
na pessoa que a está assistindo e o parto então acontece
com mais facilidade.
A confiança e a compreensão podem substituir
o medo.
A emoção negativa causada pelo medo
é substituída pela emoção positiva e pelo entusiasmo
favoráveis ao esforço concentrado com o objetivo de concretizar
e completar em toda a simplicidade fisiológica a mais bela das aventuras
humanas.
Coragem
Bravura em face do perigo.
Intrepidez, ousadia.
Resolução, franqueza, desembaraço.
Perseverança, constância e firmeza.
A mãe corajosa consegue com o auxilio da parteira
ou do médico afastar todos os seus medos.
Medo da dor.
Medo da criança não ser perfeita.
Medo de não ter leite suficiente para amamentar.
Medo de não ter capacidade para criar seu
filho.
Medo de morrer...e tantos outros medos.
DIMENSÃO BIOLÓGICA
Nesta
dimensão se inclui o preparo físico da mulher durante a gestação.
Em geral o pré-natal oferece essa possibilidade
nas ações que desenvolve.
Verificação da pressão arterial, controle
do peso corpóreo, desenvolvimento do feto, exames laboratoriais
e de ultra-sonografia. Orientação para as queixas comuns
à gestante: vômitos, tonturas...etc. A mãe deve receber
esclarecimentos e conhecimentos que irão beneficiá-la como:
noções de anatomia e fisiologia, desenvolvimento do feto,
cuidados durante a gestação, parto, puerpério, aleitamento
materno e cuidados com o recém-nascido.
Às vezes o espaço de nove meses se
torna insuficiente para assimilar todos os conhecimentos necessários,
principalmente quando ela está esperando seu primeiro filho.
Um incorreto comportamento físico e psíquico
das parturientes pode ser suscetível de aumentar muito as dificuldades
do parto e as tem aumentado na realidade.
É nesse contexto de pré-natal que o
médico poderia descer do seu pedestal de semi-deus e conversar com
a gestante de igual para igual, trocar idéias e experiências,
aprender com a mulher e orientar quando necessário.
Enfim, deixar de lado a máscara de onipotência,
de único depositário do saber, enfim, transformar-se em um
ser humano, comum, amigo e conselheiro.
O médico deveria estabelecer com a gestante
uma relação de parceria em um projeto cujo objetivo seria
o desenlace feliz da gravidez.
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