10.2)
OS SONS
OS SONS:
se dar a liberdade de emitir sons durante o trabalho é um excelente
exemplo de uma resposta à dor que transforma a experiência.
As mulheres que se exprimem através de sons durante suas contrações
apresentam freqüentemente mais facilidade de vivê-las. Ninguém
é obrigado a gemer, mas aquelas que sentem essa necessidade, e gemem,
encontram nesse ato um canal de expressão importante. Emitir sons
auxilia o corpo a produzir seus próprios remédios contra
a dor, as endorfinas, que também são produzidas quando entram
em jogo, outros fatores como: a penumbra, o emprego de um mínimo
de palavras, o cochicho e o contato com a água.
TOCAR:
tocar é uma maneira extraordinária de auxiliar uma mulher
durante o trabalho de parto. Um tocar consciente, atento e presente, que
deve corresponder de uma maneira sutil às sensações
da parturiente. As massagens na região sacra às vezes proporcionam
grande alívio.
A RESPIRAÇÃO:
a respiração muda e se adapta espontaneamente ao longo do
trabalho de parto. Deixando-a livre, fluída, espontânea, cada
músculo do nosso corpo recebe o oxigênio que ele necessita
para relaxar por sua vez. A Yoga e todos os métodos que visam tornar
a respiração mais consciente, mais plena, mais vivificante
constituem excelentes preparações para o parto e também
para outras ocasiões da vida nas quais a mãe necessitará
de todas as suas energias para recuperar a sua calma.
O MOVIMENTO:
a liberdade de se movimentar é essencial. Andar, se embalar, mexer
os quadris em movimento de rotação, se sentar, se deitar,
levantar-se quando quiser são direitos fundamentais em todos os
tempos e principalmente quando em trabalho de parto. Somente indicações
médicas muito sérias poderiam justificar a limitação
do movimento.
O REPOUSO:
quando se fala da dor do parto esquecemos de enfatizar que, durante o trabalho
de parto, passamos uma parte do tempo sem sentir dor. O corpo se preparou
para um grande trabalho mas ele também previu pausas. O maior número
de contrações dura um minuto, mas os intervalos de repouso
duram de dois a cinco minutos. Cada intervalo deveria ser um momento de
repouso infinito, de regeneração profunda.
A RESISTÊNCIA
DO MEIO
É preciso que as mulheres tenham uma resposta espontânea às
fortes sensações do trabalho. Este imenso trabalho de adaptação
não pode ser feito no interior de limites rígidos, quer seja
ele de uma técnica particular, ou seja do meio ou do medo dos outros.
A organização da obstetrícia foi feita em torno de
objetivos outros que os de auxiliar uma mulher em sua capacidade de dar
a vida. Pertence a nós retomar esse objetivo e o realizar.
As condições
nas quais um parto se desenvolve tem uma relação direta com
a maneira pela qual as mulheres vivenciam a dor.
Cada meio de suporte nomeado anteriormente encontra uma resistência
na forma pela qual o sistema médico de assistência concebe
a conduta técnica durante o trabalho de parto. Ensina-se as mulheres
a se calarem, porque confundimos relaxamento com silêncio, gemidos
com pânico.
Os sons que
as mulheres produzem quando estão dando à luz se assemelham
muito àqueles produzidos durante a relação sexual,
o que talvez explique o mal-estar de alguns e sua preferência por
mulheres silenciosas ... que somente fazem a sua respiração.
Encorajamos as mulheres a andar durante o trabalho, mas o parto é
ainda caracterizado pela imobilidade e uniformidade de posição,
muito mais que o movimento e a liberdade de escolher uma posição
que convém a cada momento do parto.
CONTATO
HUMANO
As mulheres que dão à luz sentem necessidade de uma companhia
amiga, calorosa, humana e familiar. Foi demonstrado claramente e por muitas
vezes que a presença contínua de uma parteira durante o trabalho
de parto diminui a necessidade de medicamentos que combatem a dor. Quantas
mulheres se lembram durante toda a sua vida do carinho da sua parteira
que permaneceu ao seu lado durante todo o trabalho de parto? E a presença
amorosa de seu homem?
A MELHOR
FORMA DE SAIR DA DOR É ENTRAR NELA
Todas as células do nosso corpo possuem os elementos genéticos
que as dirigem desde o encontro do óvulo com o espermatozóide,
como desenvolver um embrião, assegurar sua sobrevivência,
sua evolução e permitir o nascimento do bebê nove meses
mais tarde. Cada fase do trabalho está escrita em todo o corpo.
A dor tem
o papel de um sinal, testemunha de um importante trabalho em desenvolvimento,
anunciando a iminência do nascimento e a necessidade de intimidade,
assistência e proteção.
A alguém que exclamava diante dela como seu parto devia ter sido
insuportável e imensamente doloroso, um bebê de 4.500 gramas.
A mãe respondeu com um doce sorriso: "Não são os quilos
que fazem mal, é a resistência".
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