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PARTO HUMANIZADO
por Marilia Largura


10) O PARTO NORMAL

Em um mundo que se diz progressista, é difícil aceitar e dar um significado à fadiga humana. Inscrevê-la em um projeto que seja ao mesmo tempo individual e universal. Não se pretende de maneira alguma exaltar o sofrimento nem o contrapor à alegria, mas apenas reconhecer sua existência, como possível elemento do evento.

Na controvérsia existente entre, de um lado, a humanização do parto, parto sem violência e de outra, "parto sem risco" realizado nos hospitais, os médicos não são árbitros neutros. Nesse debate, os médicos são participantes emotivos do grupo que coloca a ciência como defensora do poder médico ameaçado do exterior.

Os profissionais que defendem o parto "sem violência" têm apenas a própria experiência como argumento. Pensando-se bem, raciocinando, podemos achar que as inovações técnicas não tenham melhorado significativamente o prognóstico da mãe e do recém-nascido. Pode também ser que uma dose de risco seja inerente a toda ação humana e o que importa é assumir o risco que nós escolhemos com conhecimento de causa.

É possível que, como nossa sociedade oculta a morte, pode também (pela técnica) camuflar o ato do nascimento, exorcizando a angústia e o medo.

E se nós reprovamos as mulheres que desejam um parto normal dizendo que elas dão as costas ao progresso, podemos sempre nos perguntar de qual progresso estamos falando e se a medicalização, a tecnização e a rotina crescentes na assistência ao parto realmente melhoraram a vida das mulheres que dão à luz e a de seus filhos.


O parto é um processo fisiológico normal que, na maioria dos casos, deveria se desenvolver sem intervenções. Estas devem ser realizadas como último recurso e se justificam quando absolutamente necessárias e NUNCA como rotina de procedimento.

A DOR DO PARTO

Uma realidade que não pode ser negada.
Vivemos em uma sociedade que usa todos os artifícios possíveis para fugir da dor. Ela está presente no quotidiano de milhões de pessoas, que respondem coletivamente pelo uso ilimitado de toneladas de analgésicos, uma solução estritamente química e eficaz somente a curto prazo. 

A mulher, ao dar à luz, traz sua bagagem, suas experiências que tiveram início quando criança nas primeiras quedas e machucados, nas doenças próprias da infância, nas frustrações e desejos não satisfeitos. Passou por momentos de dor física e psíquica.

Quando adulta e grávida, ela deve se preparar de maneira realista para o imenso desafio que representa o trabalho de parto. Embora possa parecer louvável do ponto de vista humano, não devemos amenizar o fato com palavras substitutas como “contração” ou “desconforto”. A verdade deve ser dita para evitar que ela se descontrole no momento da dor, o que iria prejudicá-la ainda mais.

A dor aparece sempre num contexto que influencia a maneira pela qual ela nos atinge. Entre os fatores que aumentam a nossa percepção da dor, estão o medo, o estresse mental, a tensão, a fadiga, o frio, a fome, a solidão, o desamparo social e afetivo, a ignorância do que está acontecendo, um meio estranho ao que estamos habituados, e o início das contrações com dor.

Entre os fatores que reduzem nossa percepção da dor, temos o relaxamento, a confiança, uma informação correta, o contato contínuo com pessoas familiares e amigas, o fato de estar ativa, descansada e bem alimentada num meio familiar confortável e o fato de permanecer no instante presente e de viver as contrações uma a uma.



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